Chafariz do Mundéu - Praça Bispo Dom José

O Chafariz do Mundéu é um retrato da época em que Cuiabá não possuía água encanada para os moradores. O local foi o primeiro sistema de abastecimento de água na capital, por volta de 1870, sendo alimentado por nascentes da região. O local abrigava o antigo Lago da Conceição e foi tombado como patrimônio histórico em 1980.
Tombamento: Portaria nº 32/79 D.O. 07/01/1.980

Acessibilidade: Sim

Horário de funcionamento: 24 horas

Endereço: Avenida Tenente Coronel Duarte Cuiabá-MT

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Descrição

A história da fundação da cidade de Cuiabá nasce junto com as suas águas jorrantes ou invisíveis. Na Praça Alencastro, centro da cidade de Cuiabá, um chafariz de repuxo foi inaugurado em 1882, pelo então presidente José Maria de Alencastro.

Conforme a historiadora e jornalista Neila Barreto “O mesmo presidente que construiu a Praça Alencastro fartamente arborizada, construiu uma fonte de água dotada com repuxo, canteiros de flores, cercado por muretas e gradil confeccionado com os canos de 2000 espingardas velhas do Arsenal de Guerra, do bairro do Porto”. Ela explica que a fonte era tradicionalmente usada pela população das ruas centrais para a ocasião das festividades da lavagem do São João.

Chafariz da Praça Alencastro no detalhe, lado esquerdo do coreto, no jardim, no chão, construído em 1882, no governo de José Maria de Alencastro. Arquivo particular.

Além disso, o Plano ou projeto da Vila Real de Cuiabá datado do ano de 1777 indica sete fontes contornando a Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá: as fontes do Arnesto, Maria Corrêa, Mundéu, de Feliciana Gomes, a Manuel da Silva, a da Mandioca e a detrás da igreja.

A fonte do Arnesto estaria localizada mais ou menos onde hoje está o Morro da Luz; a de Maria Corrêa seria hoje localizada no sentido de rua da margem esquerda do córrego Prainha; a do Mundéu estaria na parte leste da atual Praça Bispo Dom José.

“As três fontes juntas, Feliciana e Manuel e a da Mandioca estavam no circuito da atual Praça do Conde de Azambuja; e a fontes atrás da igreja da Matriz ficava localizada na atual Isaac Póvoas, próxima à atual Praça Rachid Jaudy. Nos séculos XIX e XX passou a ser a fonte da Cacimba do Soldado.

“Essas sete fontes podem, porém, ter sido oito, pois onde hoje está a Santa Casa da Misericórdia pode ter existido uma oitava fonte que, na segunda metade do século XIX alimentaria o tanque do largo da Conceição”, acrescenta a historiadora. Essa possibilidade decorre de indícios gráficos do Plano da Vila e da planta de 1786.

As fontes da Vila Real de Cuiabá delimitavam a área mais densamente edificada da Vila. Durante cerca de um século e meio elas foram fundamentais, para abastecer com água potável. “Os mananciais de água potável da margem esquerda do Prainha, tornaram-se, a partir de fins do século XVIII, decisivos fornecedores de água à vila, inclusive por meio de aquedutos”.

Do ponto de vista do presidente da Província, José Maria de Alencastro, as melhorias eram enormes. “Ele fez agradecimento público a empresários por terem fornecido água à capital durante três meses, para minimizar os males da grande seca que então assolava a Província”, salienta Neila.

O Espaço Urbano do Mundéu e da cidade

A palavra Mundéu significa armadilha de caça. No sentido figurado também pode ser qualquer casa ou coisa que ameaça cair. De acordo com a pesquisadora Neila Barreto “Havia uma música popular que se cantava antigamente cuja letra era assim, na Rua do Mundéu, tem caiaia, e uma veia de cangaia. O Mundéu era, pelo menos desde os anos de 1730, uma parte efetiva da vila, pois era um bairro da vila, localizado na bocaina, local que hoje está entre os atuais morros Seminário e Luz”, explica.

Os Chafarizes, equipamentos urbanos decisivos, sempre foram motivos de prazer e de lazer das famílias cuiabanas, mas também expressavam complexidades da sociedade escravista. “O chafariz, ao tornar a água produto de consumo coletivo e serviço urbano básico, permitia ainda o encontro de classes, criava então um lugar especial de construção da identidade, denunciando também as disputas de preferência”, argumenta a historiadora.

A construção de chafarizes e aquedutos, segundo ela, foi importante como novo sistema de abastecimento público de água potável, tomando o lugar das fontes e bicas com que coexistiram. “Ambos os sistemas resultavam da ação pública das câmaras sediadas nas vilas e cidades”, relata a pesquisadora. “Os governos municipais, locais, as Câmaras, Conselhos ou Senados, as políticas e serviços públicos, marcavam também a qualidade da vida urbana, em especial o suprimento de água potável”, ressalta Barreto. As câmaras produziam e mantinham sistemas municipais de distribuição/suprimento de água potável na América Portuguesa.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá

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